O mercado imobiliário de Vitória alcançou um patamar histórico. A capital capixaba assumiu a liderança nacional do valor do metro quadrado residencial anunciado, atingindo R$ 15.448 e superando mercados tradicionais como Itapema (R$ 15.403) e Balneário Camboriú (R$ 15.295), de acordo com dados do Índice FipeZAP de julho. O indicador acumula alta de 8,82% no ano e 9,41% nos últimos 12 meses.
No entanto, para além das estimativas de anúncios, levantamentos baseados no valor real das transações — extraídos de escrituras públicas e do recolhimento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) — comprovam que o segmento de alto padrão teve um desempenho ainda mais expressivo na prática.
Ganho Real e Desempenho Frente à Renda Fixa
Um estudo conduzido por Giuliano Martins, fundador da Resos, analisou cinco empreendimentos de luxo na capital e identificou valorizações nominais entre 67% e 111% em janelas de três a seis anos. Descontada a inflação do período, o ganho real de poder de compra dos proprietários situou-se entre 40% e 54%.
Em termos práticos, um imóvel adquirido por R$ 1 milhão no início do período atingiu valores entre R$ 1,67 milhão e R$ 2,11 milhões, o que representa uma rentabilidade mensal equivalente a 0,92% até 1,23%.
O levantamento revela ainda que, em recortes temporais mais longos, a valorização histórica surpreende:
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Barro Vermelho: Um condomínio de alto padrão multiplicou seu valor por cerca de 6,5 vezes em duas décadas, alcançando ganho real de 120% acima da inflação.
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Praia do Canto: Um residencial subiu 365% em 16 anos, registrando 88% de ganho real.
Em janelas iniciadas a partir de 2020, os cinco empreendimentos analisados superaram a taxa CDI (referência da renda fixa) em uma margem de 4 a 29 pontos percentuais.
Comportamento dos Imóveis Consolidados
A análise da Resos também investigou dez edifícios residenciais consolidados (com idade entre 17 e 47 anos e metragens de 83 a 124 m²), localizados majoritariamente na Praia do Canto — o bairro com a maior média da cidade, cotado a R$ 18.603 o m².
Nesse grupo, a valorização média mensal oscilou entre 0,7% e 1,1%, com mediana de 0,94%. Mantido esse ritmo, o retorno acumulado em cinco anos aproxima-se de 75%.
Segundo Giuliano Martins, a utilização de dados efetivos de transações altera a dinâmica das negociações no Espírito Santo. “Compradores e vendedores passam a negociar com base em informações concretas sobre o comportamento de cada perfil de imóvel, bairro e faixa de idade, e não apenas em estimativas genéricas”, conclui o especialista.










