
O ecossistema de negócios do agronegócio e da gastronomia capixaba alcançou um marco histórico no mercado internacional. A fábrica artesanal Selah Chocolate, localizada em Pedra Azul, conquistou o prestigiado Diplôme Gourmet e tornou-se a primeira marca brasileira premiada na categoria “ao leite puro”. A honraria será entregue durante o tradicional Salon du Chocolat, em Paris, no final de outubro.
Apesar de a barra vencedora utilizar cacau fino paraense, a fábrica capixaba — fundada pelo casal Rafaela Modolo e Pedro Goulart — também processa amêndoas de Linhares sob a filosofia bean to bar (da seleção do grão à fabricação da barra). A premiação atesta que o Espírito Santo dominou a etapa mais complexa e rentável da cadeia: a transformação da matéria-prima em um produto de altíssimo valor agregado com apelo e técnica sofisticada.
Produtividade em Alta e Foco na Qualidade
O reconhecimento internacional reflete um movimento estrutural que vinha se consolidando nas lavouras do estado. Em 2024, o Espírito Santo colheu 12.166 toneladas de cacau em cerca de 15,7 mil hectares espalhados por 50 municípios, tendo Linhares como principal polo produtivo (responsável por 68,4% da produção estadual), acompanhado por Colatina, Rio Bananal e São Mateus.
Nos últimos dez anos, a produtividade média nas fazendas capixabas saltou impressionantes 295%, subindo de 195 kg para 771 kg por hectare, mesmo com uma redução de 28,4% na área colhida. Esse ganho de eficiência abre espaço para que o setor avance do foco em volume bruto para a diferenciação em qualidade, pós-colheita, fermentação refinada e industrialização.
Turismo de Experiência e Retenção de Valor
A agregação de valor local conta com o respaldo de ativos consolidados, como a Indicação de Procedência (IP) do cacau de Linhares, além de diretrizes de fomento como o Pedeag 4. Contudo, a grande alavanca econômica reside na conexão entre a fabricação do chocolate e o turismo de experiência.
Em Pedra Azul, a Selah atrai visitantes ao demonstrar desde a triagem das amêndoas até as notas sensoriais dos chocolates. Movimento semelhante ocorre no Noroeste do estado: em Governador Lindenberg, a Belei Cacau — fundada por Grasi Belei — planeja transferir sua produção artesanal para a propriedade rural para integrar o cultivo a uma nova rota turística municipal.
A integração entre produção agrícola, beneficiamento industrial e rotas de turismo permite reter valor em design, embalagem, serviços de hospedagem e gastronomia, transformando o Espírito Santo de mero fornecedor de amêndoas em referência de reputação, origem e experiência.










