Sob nova governança, a Casa do Pão de Queijo inicia um processo de reestruturação operacional e reposicionamento de mercado para inaugurar um novo capítulo em sua história de expansão. Após passar por um período complexo marcado pelo pedido de recuperação judicial, a tradicional rede de franquias foi adquirida pelo Grupo Trigo — holding detentora de marcas consolidadas como Spoleto e China in Box.

A estratégia central do novo controlador baseia-se no resgate da identidade do negócio, tendo como principal pilar a reformulação técnica do produto que dá nome à marca. A meta da empresa é aumentar o faturamento das unidades ativas e inaugurar cerca de 10 lojas até o final deste ano.
O resgate do protagonismo no menu
“Estamos no momento de adaptações de tudo, entendendo do negócio e principalmente do produto”, aponta Luan Oliveira, executivo do Grupo Trigo que assumiu a diretoria da Casa do Pão de Queijo. A transação de compra da marca ocorreu em outubro do ano passado, e a operação foi transferida oficialmente para a gestão do Grupo Trigo em fevereiro deste ano.
É importante destacar que apenas a CPQ Brasil, antiga proprietária da franqueadora, permanece em regime de recuperação judicial, extinguindo qualquer vínculo do processo jurídico com a marca ou com a atual rede de franquias.
De acordo com Oliveira, a mudança prioritária da gestão consiste na reformulação do portfólio de produtos, com foco absoluto no pão de queijo para assegurar o protagonismo do salgado no cardápio. “A ideia é fazer com que, ao pensar sobre onde comer um bom pão de queijo, o consumidor pense na Casa do Pão de Queijo, não apenas por ter o produto, mais por ser realmente bom”, detalha o diretor.
As alterações na receita buscam aprimorar os atributos de sabor e textura. Na nova formulação, a empresa alterou a combinação (blend) de queijos e eliminou o uso de aromatizantes artificiais, garantindo um produto mais autêntico. Como a aquisição não incluiu as instalações fabris dos antigos proprietários, o Grupo Trigo transferiu a produção para uma indústria terceirizada com capacidade produtiva para abastecer até 300 lojas.
Crescimento de 20% nas vendas em fase de testes
Atualmente, o pão de queijo representa cerca de 60% do volume total de pedidos da rede, e a expectativa da companhia é elevar essa participação. A versão reformulada do salgado opera inicialmente em fase de testes em quatro unidades selecionadas.
Os primeiros indicadores de desempenho apontam uma aprovação superior a 80% em pesquisas internas com consumidores. O reflexo comercial imediato foi um incremento entre 15% e 20% no volume de vendas de pão de queijo nas lojas testadas. “É um aumento obtido simplesmente mudando a comunicação, dizendo que é novo e tendo um pão de queijo mais gostoso”, analisa Oliveira.
Métricas da Fase de Testes (Nova Receita)
├── Índice de Aprovação de Clientes ──> Superior a 80%
└── Aumento de Vendas nas Unidades ──> Entre 15% e 20% de expansão
O cronograma de distribuição prevê a expansão gradual do novo pão de queijo para o restante da rede a partir de agosto, com expectativa de abastecer 100% das franquias até outubro.
O plano de otimização do cardápio também engloba o retorno da empanada de carne e o lançamento de um novo açaí desenvolvido em parceria com a ASA Açaí, marca pertencente ao portfólio do Grupo Trigo. Uma reestruturação na categoria de cafés está programada para uma fase posterior, englobando a revisão de matérias-primas, maquinários e experiência de consumo.
Governança e alinhamento com a base de franqueados
Além das transformações voltadas ao consumidor final, o Grupo Trigo estabeleceu o relacionamento com os franqueados como prioridade estratégica. Em janeiro, a holding promoveu um encontro presencial para apresentar as diretrizes do novo controlador e alinhar os próximos passos da rede.
A franqueadora planeja um encontro presencial em agosto para detalhar o balanço do primeiro semestre e apresentar o cronograma de expansão, além de integrar a rede na convenção anual do Grupo Trigo em dezembro.
A sinergia entre os investidores das marcas do grupo é uma das alavancas para a expansão territorial. A diretoria pretende incentivar empreendedores que já operam redes como Spoleto ou China in Box a investir em unidades da Casa do Pão de Queijo. A meta da empresa é assinar 20 novos contratos ao longo do ano, sendo que aproximadamente 80% desse volume deve ser absorvido por franqueados que já integram a base da holding.
No modelo de negócios atual da marca, o formato mais compacto exige um investimento inicial a partir de R$ 150 mil, apresentando um prazo estimado de retorno de capital entre 24 e 40 meses. A franqueadora, que conta com 150 lojas em atividade, não definiu praças prioritárias para a expansão e foca na consolidação nacional do modelo de negócios.










