Tendências que estão moldando o comportamento do consumidor no futuro – Parte 2

Além das tendências que listamos na parte 1 deste artigo (Uma reviravolta na “economia de atenção”; A mente multifuncional; A devoção distribuída; O novo normal), a IDEO, levantou mais outros fatores que estão impactando o ambiente global de negócios e que oferecem novas oportunidades de reflexão e ação para as empresas:

  1. A aceitação dos alimentos geneticamente modificados.

A ameaça do aquecimento global está complicando a produção de alimentos em escala planetária e para superar esses desafios, novas técnicas estão sendo desenvolvidas. A convergência de edição genética (CRISPR), Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT), agricultura de precisão e novas técnicas analíticas estão gerando novas categorias de alimentos com a promessa de muito mais produtividade por hectare.

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Pode-se citar alguns exemplos, como carne e peixe criados em laboratório, vinho e whisky moleculares e claras de ovos sem precisar de galinhas. Um universo de possibilidades está se abrindo. Mas é preciso uma mudança de percepção das pessoas. Há uma sensação de desconfiança em relação aos alimentos geneticamente modificados e aos alimentos “sintéticos”. O acrônimo “GRAS” (Alimentos geralmente aceitos como seguros) foi criado pelo FDA (Agência Reguladora de Alimentos dos EUA) e surge como o padrão para a aceitação de alimentos cientificamente modificados.

  1. A síndrome de Peter Pan.

Com os ganhos na expectativa de vida da população, há uma mudança consistente no comportamento das pessoas em busca de uma eterna juventude, seja na atitude ou na qualidade de vida. Especialmente os baby boomers (nascidos entre 1950-1960) se dedicam nesse sentido, retardando ao máximo a chegada da velhice. Mas eles não são os únicos. As novas gerações também estão estendendo as etapas mais jovens da vida, demorando mais para assumir os compromissos da vida adulta e se dedicando a atividades que antes eram mais relacionadas às faixas etárias mais jovens. Muito millenialos decidem não ter filhos e curtem a juventude por mais tempo. E esse tempo é dedicado a viagens, lazer, videogames e tudo que relembre os anos anteriores de suas vidas.

Para ter uma ideia, enquanto os mais velhos estendem sua vida profissional além dos 70 anos, os jovens estão priorizando carreira em vez de constituir família, retardando ao máximo ou mesmo eliminando a geração de filhos. No ambiente de trabalho, grandes corporações de tecnologia criam ambientes que reproduzem o clima da universidade, das áreas de convivência aos dormitórios. Serviços de compartilhamento de residências como foco nos mais velhos estão sendo criados (Silvernest: www.silvernest.com) e já existem até mesmo serviços que oferecem “netos sob demanda” para preencher a necessidade de socialização dos mais velhos que não tem mais família (Papa: www.joinpapa.com).

Um grande desejo das pessoas que querem se manter jovem é simplesmente viver para sempre. Com esse objetivo foi criada a Calico, empresa do Grupo Alphabet (holding que controla o Google). A Calico financia pesquisas para a extensão da vida e o seu propósito é, simplesmente, “acabar com a morte”. Bilhões de dólares estão sendo investidos para criar a utopia da vida eterna.

Com todas essas transformações, as questões surgem: Como os planos de aposentadoria deverão ser estruturados para dar conta dessa nova longevidade das pessoas? Voltaremos ao formato de vilas com a convivência simultânea de múltiplas gerações? O quanto poderemos alcançar de extensão de vida? Conseguiremos criar um sistema de upload dos dados cerebrais e memórias para uma central computadorizada, conquistando a vida eterna?

  1. Pensar o Planeta em primeiro lugar.

As mudanças climáticas estão gerando mudanças de comportamento nas pessoas. A “ansiedade climática” é real e já impacta os negócios. Os países nórdicos já tem campanha para envergonhar quem viaja de avião sem motivo. A pirâmide de Maslow está sendo revista, priorizando os hábitos de consumo das pessoas com foco em sustentabilidade e na economia circular, ou seja, um sistema em que tudo é reaproveitado, sem desperdícios.

As corporações estão cada vez mais no alvo e sendo chamadas à responsabilidades por conta de ações que prejudicam o meio ambiente, a ética e a privacidade das pessoas. As B-Corps surgem como um modelo de companhia que tem como prioridade uma postura ética em todos os sentidos e deixar o planeta melhor do que o recebeu. Essa prática está se disseminando rapidamente, pelo exemplo, entre outras empresas de todos os tamanhos.

Um grande exemplo de atitude positiva é o da Patagonia, marca de roupas esportivas, que doou milhares de hectares para o governo chileno, a maior doação de terras de uma empresa privada em todos os tempos, criando um grande parque nacional para a preservação do ecossistema Patagônico. Em um mundo cada vez mais consciente com a ecologia, como os países desenvolvidos compensarão os estragos que já fizeram no meio ambiente? Será que o termo “circular” vai virar uma categoria de produto? Como as empresas devem reagir e se posicionar frente às mudanças comportamentais?

  1. Uma nova relação com a escola.

Estamos vivendo a quarta revolução industrial e isso exige novas capacidades técnicas e novas abordagens de aprendizado. Setores que estão desaparecendo criam desemprego e a necessidade de recapacitar os trabalhadores mais velhos. Ao mesmo tempo, a demanda por novas competências muda a um passo mais rápido que as universidades conseguem acompanhar.

O exemplo de empreendedores de sucesso, como Mark Zuckerberg, Bill Gates, Steve Jobs, que largaram a faculdade para construir grandes empresas, pode criar a ilusão de que não fazer faculdade é o caminho. A oferta de cursos rápidos favorece a velocidade de aprendizado e atrai os novos trabalhadores. Os modelos educacionais estão sendo reinventados, com plataformas online de educação, novas tecnologias multimídia, ambas sendo utilizadas para o aprendizado e a capacidade de aprender sobre qualquer assunto, bastando estar conectado à internet.

No futuro próximo, será que os cursos rápidos substituirão integralmente o diploma universitário? Como garantir consistência no aprendizado e um padrão básico de competência em grande escala na nova força de trabalho? Quem será responsável pela recapacitação das pessoas, governo, empresas, entidades filantrópicas? Qual o futuro da escola pública?

Como podemos ver, são muitos desafios simultâneos que impactam o ambiente global e alteram o cenário nacional e regional. É preciso que os gestores avaliem com clareza essas transformações, conectando os pontos que fazem sentido com as áreas de atuação de suas empresas, para assim, poder estabelecer estratégias eficientes para posicionar suas marcas e ter sucesso no mercado. Em um cenário de constante transformação, as oportunidades surgem para todos, mas só são aproveitadas por aqueles que estão atentos.

D.J. Castro

José Dejanir de Castro Junior, mais conhecido no mercado como D.J. Castro, formou-se em 1996 em Propaganda e Marketing pela ESPM de São Paulo. Cursou Pós-Graduação em Design na Escola de Belas Artes-SP e MBA em Negócios da Moda pelo IBMODA-SC. É especialista em Gestão de Negócios e Marketing pela Fundação Dom Cabral.

Atuante no ecossistema de Inovação de Santa Catarina. É vice-coordenador do Núcleo de Inovação da ACIB – Blumenau. É diretor de Marketing e eventos da ASA – Associação dos amigos do Hospital Santo Antônio. Atua como conselheiro do SC Criativa, movimento pelo desenvolvimento da economia criativa de Santa Catarina. D.J. Castro escreve artigos sobre marketing, branding, estratégia de negócios, inovação e tendências.

Consultor de Branding e Marketing Estratégico, em 2012, D.J. Castro criou a NEXIA BRANDING, Consultoria Estratégica focada na Criação, Construção e Transformação de Marcas, e que nasceu com a proposta de unir Gestão Estratégica de Marcas e Marketing para gerar Inovação e transformar negócios. A Nexia desenvolveu projetos para marcas como Decanter, Cerveja Blumenau, HBSIS, Grupo Unite, Beagle, Von der Volke, entre outros.

D.J. Castro é fundador e consultor de Branding e Marketing Estratégico na Nexia Branding. É fundador e palestrante do Tsunami Lab.

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