Tendências que estão moldando o comportamento do consumidor no futuro – Parte 1

Coluna e Artigo Por D.J. Castro – Nexia Branding

Atualmente vivemos em uma era de aceleração cada vez maior em todos os sentidos, mais lançamentos de produtos, mais informação à disposição, mais eventos, constantemente tem alguma coisa acontecendo e a sensação de que estamos perdendo algo é sempre presente. Se essa percepção de aumento de velocidade gera ansiedade nas pessoas, do ponto de vista da gestão das empresas e marcas, o efeito é o mesmo. É cada vez mais difícil prever o comportamento dos consumidores e definir estratégias efetivas para atender suas necessidades, demandas e desejos.

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Pensando nessa questão complexa, a IDEO, um dos principais escritórios de design do mundo, elaborou uma pesquisa com seus clientes e parceiros para entender melhor o momento atual, os desafios e oportunidades, para gerar insights e novas estratégias para conectar novas ideias, lançar novos produtos e contribuir para a evolução da sociedade de uma forma construtiva e positiva.

A partir da pesquisa, alguns padrões foram detectados e eles apontam tendências para o futuro do comportamento dos consumidores que devem ser levadas em consideração pelas empresas que querem ter mais sucesso no mercado. Aqui estão os primeiros quatro fatores apontados nesta pesquisa:

  1. Uma reviravolta na “economia de atenção”

Novas tecnologias surgiram para conectar as pessoas que adoram seus smartphones e apps e vivem ligadas neles. Mas tudo que é feito em excesso pode virar um problema e é isso que a sociedade já está percebendo. Piora no déficit de atenção, questões de privacidade e acesso aos dados pessoais e até mesmo o vício estão em pauta como problemas sérios gerados hoje.

Os próprios criadores dessas tecnologias inovadoras sabem do problema e há vários casos de fundadores de empresas de tecnologia que matriculam seus filhos em escolas Waldorf e evitam que eles utilizem dispositivos eletrônicos. Novas descobertas médicas apontam que é preciso cuidado e controle no acesso das crianças aos computadores, smartphones e tablets. Com o desenvolvimento desse fenômeno, surge a possibilidade das empresas criarem um cargo responsável pela ética na empresa –– O Chief Ethics Officer.

Esses problemas estão gerando atitudes de controle em diversos níveis. O governos estão querendo regular mais a indústria e, a Lei Geral de Proteção de Dados é um grande exemplo de ação que já está sendo tomada nesse sentido. Podem ser criadas áreas livres de vigilância, com proibição de reconhecimento facial, e as mídias sociais podem ter uma mudança de curso com o surgimento de novas experiências digitais antissociais, para proteger a privacidade e a saúde mental das pessoas.

  1. A mente multifuncional

Vivemos um momento de fuso constante, com múltiplos impactos cognitivos simultâneos desviando a nossa atenção e tomando nosso tempo. Ao mesmo tempo em que ferramentas digitais surgiram para nos auxiliar a dar conta de mais trabalho em menos tempo, esse processamento paralelo de informação aumentou muito a carga de trabalho, gerando stress. Manter a produtividade é um desafio.

As plataformas digitais se fundiram com a nossa vida, e nossa identidade se reflete digitalmente. Nossas crenças, opiniões, ideias e muitos dos nossos dados estão plenamente disponíveis para quem quiser pesquisar.

Há a esperança de que a Inteligência Artificial vá ajudar a diminuir a carga de trabalho e auxiliar as pessoas. Mas essa tecnologia também deve tornar obsoletos muitos postos de trabalho que realizam tarefas repetitivas. Como essas pessoas desempregadas vão ocupar seu tempo? Novas funções terão que ser criadas para dar conta dessa demanda ou um novo modelo de sociedade vai ter que ser aprimorado para manter padrões mínimos de dignidade para todas as pessoas a partir da geração de riqueza realizada pela tecnologia. Bancos, universidades e empresas terão que criar estratégias para preparar as pessoas para os piores cenários, capacitá-las e empregá-las em novas funções produtivas.

  1. A devoção distribuída

Estudos apontam que as novas gerações tendem a ser menos religiosas. Mas isso significa que elas passam a ter a necessidade de preencher o vazio espiritual com outras atividades. Sam Harris afirma que a espiritualidade não precisa ser diretamente conectada a uma religião. Assim, essa energia é focalizada na participação de atividades que proporcionem satisfação emocional, seja individualmente ou em grupo. A prática de Yoga, grupos de culinária, atividades esportivas diversas, música, canto, meditação, várias opções existem para criar um senso de comunidade, pertencimento e realização.

Os millennials gostam de se reunir, independentemente de religião, para compartilhar momentos, experiências e aprendizados. E é uma geração que aceita muito melhor a diversidade, o que gera oportunidades novas de troca de ideias e evolução pessoal. As pessoas querem compartilhar sua visão de mundo de uma forma positiva e, em tempos de tanta polarização política, essa é uma contra tendência interessante para ser considerada. As empresas poderão criar um cargo para gerenciar as crenças –– Chief Belief Officer. Microgrupos de compartilhamento de experiências espirituais poderão substituir as igrejas tradicionais. Um novo senso de comunidade pode ser criado nos ambientes de trabalho, com ganhos para todos.

  1. O novo normal

A contravenção e a transgressão estão sendo normalizadas. Na política, estamos vendo líderes agindo de formas que seriam absurdas há pouquíssimo tempo atrás. O decoro é algo muito delicado e, ao quebrá-lo, os políticos, que deveriam ser exemplo positivo, influenciam negativamente milhões de pessoas. Reverter essa tendência exigirá muito tempo e esforço das pessoas que se sentem escandalizadas com essa situação.

Além disso, a sociedade está mais leniente com práticas que antes eram tabu. Um exemplo é o uso de drogas, como a cannabis. Em vários estados dos Estados Unidos, Portugal, Canadá, Holanda e outras partes do mundo, a legalização da maconha é uma realidade. Inicialmente liberada para uso medicinal, nesses locais ela já pode ser usada de forma recreativa e deixa de ser tratada como caso de polícia, passando a ser orientada pelas políticas de saúde pública. Outras drogas podem seguir esse caminho.

Um outro exemplo é a morte assistida, que começa a ser autorizada com mais frequência e está sendo legalizada em alguns países. O direito de escolher como e quando morrer deixa de ser tabu e pode passar a ser uma prática normal. Enquanto algumas empresas, como a Calico, buscam estender a vida para sempre, algumas pessoas querem apenas morrer em paz. Oportunidades de negócios surgem na indústria farmacêutica, com remédios à base de canabidiol, tratamentos e processos para a eutanásia, e que podem gerar novas grandes corporações.

Compreender as tendências para desenhar estratégias efetivas

Os gestores de marketing devem sempre avaliar quais tendências influenciam seus mercados-alvo, entendendo as necessidades reais das pessoas, traçando cenários de possibilidades de reação às ações previstas. Quanto maior a base de conhecimento sobre os clientes, melhor preparada uma marca vai estar para navegar esses tempos complexos e atingir sucesso de forma mais eficiente. O mercado está mudando rapidamente, o comportamento das pessoas está se transformando rapidamente e, num processo darwiniano, as marcas que melhor se adaptarem vão sobreviver e prosperar.

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